Sobre os 41 anos da morte de J.R.R.Tolkien

Por: Rodrigo Passolargo

Estava refletindo sobre o dia de hoje, 02 de setembro de 2014,  e tentando entender ou até mesmo sentir algo como: perda, partida ou despedida envolvendo os 41 anos da morte do querido professor Tolkien. Não consegui. Me veio uma frase do conhecido Jonnhie Walker:

''Você também pode alcançar a imortalidade: basta fazer apenas uma coisa notável.''

Reformulando e pensei: ''Não só notável! Mas incrivelmente notável e prestes a perpetuidade''
TOLKIEN

Tolkien tinha uma grande noção da morte, desde a perda do pai e sua ausência prematura, pois ele tinha apenas 4 anos, e principalmente a morte de Mabel, sua mãe, que desmaiou fatalmente em sua frente, com 12 anos de idade, e do irmão, com 10 anos. Nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, em que Tolkien travou a Batalha de Somme, ocorreu a maior perda diária na história do exército britânico, sendo 19 mil soldados ingleses mortos e 60 mil feridos no primeiro dia. Um dos amigos mais próximos de Tolkien estava entre os abatidos: Rob Gilson.
Logo viria outro amigo próximo (também do T.C, S.B), morto por estilhaços que gangrenaram todo o corpo: G.B. Smith. Mortes estas que, assim como a de outros companheiros de guerra, misturado ao odor de sangue e gritos de dor, balas e explosões foram efetivos ao atingir os sentimentos e a mente do professor.

Amigos como C.S. Lewis, com quem Tolkien compartilhava a formação do mundo da Terra-Média e muitos outros entes queridos, como sua amada esposa Edith, por quem desde jovem nutriu e conviveu com amor o ''até que a morte nos separe'', também compõem a visão dele sobre a perda, a dor e a morte.

Um reflexo aplicado é encontrado em suas obras, onde ele explicitamente fala:

''(...) A busca pelo poder é apenas o motivo-poder que coloca os eventos em andamento, e creio ser relativamente sem importância. A história diz respeito principalmente à Morte e à Imortalidade, e às “fugas”: longevidade serial e memória cumulada.''
(As Cartas de J.R.R.Tolkien, Carta n° 211)

O conflito da vida e morte que começa nas Terras Imortais. De Valar e Elfos até a finidade dos homens, onde Tolkien descreve com mistério, os Salões de Mandos e os Círculos do Mundo. Sua visão cristã e de fé - muito fundamentada pela mãe - era a principal responsável por fortalecer o laço com a vida na reflexão da morte. Além disso, existe a dádiva da ''imortalidade'' dos elfos e da perecidade vital dos homens (onde os mais nobres númenorianos poderiam escolher o dia para morrer, com honra e virilidade), que nas providências da vida, em meio as lutas, provações e dificuldades, mostra que aquilo que faz sua morte é a maneira como vive.

Em outra carta ele fala:
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''(...)Mas devo dizer, caso perguntado, que a história não é realmente sobre Poder e Domínio: isso apenas mantém as rodas girando; ela é sobre a Morte e o desejo pela imortalidade. Que não mais é do que dizer que esta é uma história escrita por um Homem!''
(As Cartas de J.R.R.Tolkien, Carta n° 203)

Tolkien quando escrevia e trabalhava suas criações em seu imaginário, conquistava uma herança élfica de imortalidade, transformando não só seu Legendarium e demais obras, como o mundo em sua volta. Perpetuar-se é criar uma raiz que marca e dá frutos ao mundo.

Não existe luto por Tolkien. Não existe luto por aquilo que está vivo. Por aquilo que solidificamos que tornamos notável, significativo e incrível para as pessoas por aquilo que é nosso legado (do latim legatum, -i, doação por testamento).

Finalizo em um pensamento que meu pai me disse quando era criança. Se não falho a memória, estava chorando pois via na tv uma reportagem sobre um acidente aéreo e, no desespero e pouca idade, pranteei ao ''cair na real'' que um dia eu e todos que amava iam partir. Ele me falou:

''Quando nasceu, todos em sua volta sorriam... só você chorava. Deves viver de tal maneira que, quando morrer, todos em sua volta chorem... e só você sorri.''

Até hoje essa frase me acalma.

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