Tolkien, o anel da discórdia – Entrevista com Christopher Tolkien

É um caso raro, se não excepcional. Em uma época na qual muitas pessoas venderiam suas almas para serem populares, Christopher Tolkien não se expressou na mídia por quarenta anos. Nenhuma entrevista, nenhuma declaração, nenhum encontro – nada. Uma decisão que ele tomou no momento da morte de seu pai, autor britânico do famosíssimo O Senhor dos Anéis (The Lord of the Rings, três volumes publicados em 1954 e 1955), e um dos escritores mais lidos do mundo, com cerca de 150 milhões de livros vendidos e traduções em 60 idiomas.

Capricho? Certamente não. Aos 87 anos, o filho do britânico John Ronald Reuel Tolkien (1892-1973) é um homem do qual se espera mais do que isso. Um inglês distinto, com um sotaque bastante upper class, e estabeleceu moradia no sul da França em 1975 com sua mulher Baillie e seus dois filhos. Então, seria porque ele não se importa? Ainda menos provável. Durante todos esses anos de silêncio, sua vida foi de um trabalho incessante, obcecado, e quase hercúleo na parte não publicada da obra de seu pai, da qual ele é o executor literário.

 

UM TIPO DE UNIVERSO PARALELO EM TORNO DA OBRA

Não, a orgulhosa reserva de Christopher Tolkien tem outra causa: a lacuna atordoante, quase um abismo, que cresceu entre os escritos de seu pai e a descendência comercial deles, na qual ele não os reconhece mais. Sobretudo desde que o cineasta neozelandês Peter Jackson fez O Senhor dos Anéis, três filmes de sucesso fenomenal, entre 2001 e 2003.  Os anos passaram, e um tipo de universo paralelo foi formado em torno da obra de Tolkien. Um mundo de imagens brilhantes e de miniaturas, coloridas pelos livros originais do culto, mas frequentemente muito diferentes deles, como um continente que se afasta da massa de terra da qual se libertou.

Essa galáxia comercial agora vale muitos bilhões de dólares, a maioria dos quais não tem retorno para os herdeiros de Tolkien. E isso complica a administração de sua herança por uma família que é polarizada não pelas imagens ou objetos, mas pelo respeito aos textos de Tolkien. Em um curioso paralelo, a situação remete ao enredo de O Senhor dos Anéis, no qual tudo parte de uma herança: Frodo Bolseiro, o herói, recebe do já envelhecido Bilbo o famoso anel mágico cuja posse aguça a inveja e provoca o mal.

Hoje, poucos meses antes do lançamento de um novo filme de Peter Jackson (dia 14 de dezembro), desta vez inspirado em O Hobbit (publicado em 1937), os membros da família Tolkien se preparam para lidar com solicitações de todo gênero, além de novas excrescências da obra. “Nós vamos construir barricadas”, anuncia Baillie com um sorriso.

 

UM “DESESPERO INTELECTUAL”

Antes disso, porém, e de maneira única, Christopher Tolkien concordou em discutir com o Le Monde sobre esse legado. Um patrimônio que tem sido o trabalho de uma vida, mas que também se tornou a fonte de um certo “desespero intelectual”. Porque no fundo, a posteridade de J. R. R. Tolkien é tanto a história de uma transmissão literária extraordinária entre um pai e seu filho, quanto de um mal-entendido: os trabalhos mais conhecidos, aqueles que têm escondido o resto, eram apenas um epifenômeno aos olhos de seu autor. Apenas um cantinho do vasto mundo de Tolkien do qual ele até abdicou, pelo menos em parte. Em 1969, o escritor vendeu aos estúdios United Artists, de Hollywood, os direitos cinematográficos e direitos aos produtos derivados de O Hobbit e O Senhor dos Anéis. A transação está avaliada em 100,000 libras, um preço considerável para a época, mas insignificante em vistas do que aconteceu depois.

Este montante deveria permitir que os filhos do escritor pagassem futuras taxas de sua herança. Tolkien antecipou essa operação porque os impostos eram muito altos durante o governo trabalhista inglês daquela época. Além disso, ele temia que as mudanças nas leis norte americanas de copyright deixariam seus filhos em dificuldade. Mas O Senhor dos Anéis se tornou rapidamente um sucesso meteórico, especialmente nos Estados Unidos.

Com a exceção de Oxford, onde as críticas de seus colegas afetavam bastante o escritor, o entusiasmo era geral. “A mania Tolkien era bastante semelhante àquela em torno de Harry Potter”, diz Vicent Ferré, professor na universidade de Paris XIII, que comandou a edição de um Dicionário Tolkien (em francês) que será publicado no próximo outono. Desde os anos 60 em diante, O Senhor dos Anéis se tornou um símbolo da contra-cultura, em especial nos Estados Unidos. “A história de um grupo de pessoas que se rebelam contra a opressão, em um fundo tingido de fantasia, serve como uma bandeira para militantes de esquerda, especialmente no campus de Berkeley, na Califórnia”.

Na época da Guerra do Vietnã, vimos florescer slogans como “Gandalf para Presidente”, em homenagem ao velho mago que aparece no romance, ou “Frodo vive!” (no original, em inglês, “Frodo lives!”). Sinais de que a lenda não morre facilmente: durante a segunda guerra no Iraque, adesivos satíricos foram impressos novamente que diziam “Frodo falhou. Bush tem o Anel”.

 

UM RETIRO NA FRANÇA

Mas além de O Hobbit e O Senhor dos Anéis, Tolkien publicou relativamente pouco durante sua vida. Nada, em todo caso, que tenha tido o sucesso como o de seus dois best-sellers. Quando ele morreu, em 1973, uma gigantesca parte de seu trabalho permaneceu inédita: O Hobbit e O Senhor dos Anéis são apenas episódios em uma história imaginária que se estende por milênios. Christopher Tolkien assumiu a tarefa de trazer essa mitologia parcialmente fragmentada à superfície, de uma forma bastante incomum. Ao invés de se contentar com os livros já publicados, ele começou a trabalhar em algo que se tornou uma verdadeira paixão para ele, como fica evidente quando ele fala sobre o assunto: um trabalho de escavação literária.

É em uma casa em um cenário de pinheiros e oliveiras que ele recebe a repórter, com uma delicadeza que desarma. Não é um local fácil de encontrar, ainda melhor escondido do que a toca de um hobbit. Para encontrá-lo, é preciso um carro robusto e alto o suficiente. À uma certa distância da vila, pegue uma longa estrada de terra ocre, e continue entre as árvores altas até uma casa rosa entre dois declives. A casa está situada em meio a adoráveis flores silvestres, sem nenhum atributo que indique grandes fortunas. Reina no local uma atmosfera calma, como que fora do tempo, exatamente à imagem de seus ocupantes.

Aquele que vive lá é o terceiro dos quatro filhos de J. R. R. Tolkien e o último sobrevivente, com sua irmã Priscilla. Christopher é o executor testamentário de seu pai e diretor geral da Tolkien Estate, a empresa que administra os bens da família. Fundada em 1996, a empresa administra e distribui os direitos dos direitos autorais do autor aos seus herdeiros: Priscilla e Christopher, seis netos e onze bisnetos de J. R. R. Tolkien. A estrutura da empresa em si é de um tamanho bastante modesto (tem apenas três funcionários, incluindo Adam, o filho de Christopher e Baillie), e tem a assistência de um escritório de advocacia em Oxford. Ela também inclui ums divisão filantrópica, a Tolkien Trust, direcionada principalmente a projetos educacionais e humanitários.

Mas é de seu retiro francês que Christopher Tolkien tem trabalhado em seus livros e respondendo solicitações. A decoração é simples e acolhedora, feita de livros e tapetes, cadeiras confortáveis e fotos da família. Em uma delas está justamente J. R. R. Tolkien, seus dois filhos mais velhos, sua esposa, e um pequenino bebê chamado Christopher nos braços de sua mãe. Aquele que sem dúvida será, desde o início, o público mais receptivo dos trabalhos de seu pai. E em seguida o mais transtornado pela sua evolução.

 

UMA EXTRAORDINÁRIA IMAGINAÇÃO

O mal-entendido começou com O Hobbit, na metade dos anos 30. Até então, Tolkien tinha publicado um ensaio muito aclamado sobre Beowulf, o grande poema épico povoado por monstros escrito na Idade Média. Seu trabalho de ficção, iniciado durante a primeira guerra, manteve-se escondido. Tolkien era um linguista brilhante, especialista em inglês antigo, professor em Oxford e dotado de uma imaginação incrível. Toda a sua paixão era por línguas, ele tinha inventado várias, e tinha construído um mundo que as abrigasse. Por “mundo” não se entendia somente estórias, mas uma história, uma geografia, os costumes, em suma uma cosmologia completa que serviria de cenário para os seus contos.

Mas em 1937, O Hobbit imediatamente conheceu um grande sucesso, tanto de público quanto de crítica, ao ponto de sua editora da época, Allen and Unwin, exigir uma sequência urgentemente. O próprio Tolkien não tinha vontade de continuar na mesma linha. No entanto, ele possuía uma história dos mais antigos tempos de seu universo, que ele intitulou O Silmarillion. Muito difícil, declarou a editora, que continuou a lhe assediar. O escritor então aceita, com alguma relutância, lançar-se em uma nova história. De fato, ele estaria prestes a lançar a pedra fundamental do que viria a ser O Senhor dos Anéis.

Mas O Silmarillion não deixa a sua mente, nem a de seu filho. Isso porque as mais antigas memórias de Christopher Tolkien estão ligadas a essa história das origens, que seu pai costumava compartilhar com os filhos. “Por mais estranho que possa parecer, eu cresci no mundo que ele havia criado”, ele diz. “Para mim, as cidades do Silmarillion são mais reais do que a Babilônia.”

Em uma prateleira na sala de estar, perto da bela cadeira de madeira na qual Tolkien escreveu O Senhor dos Anéis, há um banquinho coberto por uma tapeçaria bastante desgastada. Este é o lugar onde Christopher sentou com 6 ou 7 anos de idade para ouvir as histórias de seu pai. “À noite”, ele lembra, “ele entrava no meu quarto e me contava grandes histórias, em pé diante da lareira, como a de Beren e Lúthien, por exemplo. Tudo o que me parecia interessante provinha de sua maneira de olhar as coisas.”

 

ESCRIVÃO E CARTÓGRAFO DESDE A INFÂNCIA

Assim, desde a tenra idade, Christopher participou deste mundo fascinante, do qual ele rapidamente se torna tanto o escrivão quanto o cartógrafo. “Meu pai não podia pagar um secretário”, ele diz. “Eu é que datilografava (as histórias) na máquina de escrever e desenhava os mapas a partir de seus esboços.”

Aos poucos, desde o final dos anos 30, O Senhor dos Anéis toma forma. Alistado na Royal Air Force, Christopher parte em 1943 para uma base sul-africana, onde recebe, todas as semanas, uma longa carta de seu pai, bem como os episódios do romance em andamento. “Eu era piloto de caça. Quando aterrissava, lia um capítulo”, ele se diverte ao dizer, enquanto aponta para uma carta na qual seu pai lhe pede conselhos sobre a formação de um nome próprio.

A primeira coisa que ele lembra ter experimentado depois da morte de seu pai foi o sentimento de uma pesada responsabilidade. Nos últimos anos de sua vida, Tolkien começou a trabalhar novamente em O Silmarillion, em uma tentativa vã de pôr ordem em sua narrativa. Isso porque a escrita de O Senhor dos Anéis, tendo emprestado elementos de sua antiga mitologia, tinha levado à inconsistências e anacronismos no Silmarillion. “Tolkien não poderia fazê-lo”, diz Baillie, que por algum tempo foi a assistente do escritor e, mais tarde, editou de um de seus livros, intitulado The Father Christmas Letters. [O título deste livro pode ser traduzido como “Cartas do Papai-Noel”, e ele ainda não foi publicado no Brasil. Trata-se de uma coletânea das cartas que todo ano, na época do Natal, Tolkien preparava para seus filhos, com ilustrações e histórias das aventuras do Papai Noel e seus aliados. As cartas eram feitas para que parecessem ter sido escritas pelo próprio Papai Noel, e muitos elementos presentes em suas narrativas poderiam ser encontrados posteriormente nas obras do Legendárium. Nota do tradutor.] “Ele ficou preso em detalhes cronológicos, reescreveu tudo, e a coisa foi se tornando cada vez mais complexa.” No entanto, entre pai e filho, estava entendido que Christopher assumiria o trabalho se o escritor morresse sem ter atingido seu objetivo.

 

UM ARQUIPÉLAGO QUASE SUBMERSO

Foi assim que ele recebeu os papéis de seu pai depois de sua morte: 70 caixas de arquivos, cada caixa lotada com milhares de páginas inéditas que Tolkien deixou para trás. Histórias, contos, palestras, poemas de 4000 versos mais ou menos terminados, cartas e mais cartas. Tudo em uma desordem terrível: quase nada estava datado ou numerado, tudo apenas lotando as caixas.

“Ele tinha o hábito de viajar entre Oxford e Bournemouth, onde se hospedava com frequência”, diz Baillie Tolkien. “Quando ele saía, colocava grandes quantidades de papéis em uma mala que lhe era inseparável. Quando chegava ao seu destino, pegava uma folha ao acaso, e começava daquela folha!” A cereja no topo do bolo, por assim dizer, é que as páginas dos manuscritos são quase indecifráveis, por conta da letra espremida que Tolkien tinha.

Entretanto, nesta incrível desordem havia um tesouro: não apenas O Silmarillion, mas as versões bastante completas de todos os tipos de lendas apenas pouco observadas em O Hobbit e em O Senhor dos Anéis.  Um arquipélago quase submerso cuja existência Christopher em parte desconhecia. Então teve início a segunda vida da obra – assim como a de Christopher. Ele pediu demissão do New College em Oxford, onde ele tinha se tornado professor de Inglês Antigo, e se lançou ao trabalho de edição dos textos de seu pai. Ele deixou os recintos da universidade sem remorso, chegando até (com a lembrança, seus olhos ainda brilham) a jogar em um matagal a chave que é dada a cada professor e que eles têm que apresentar no final do ano durante uma cerimônia ritual.

Primeiro na Inglaterra, em seguida na França, ele reagrupou as partes de O Silmarillion, deu coerência ao conjunto, adicionou tarraxas aqui e lá… E publicou tudo em 1977, com um leve remorso. “Imediatamente pensei que o livro estava bom, mas um pouco falso, pois eu tive que inventar algumas passagens”, ele explica. Na época, ele teve até um sonho desagradável: “Eu estava no escritório do meu pai, em Oxford, ele entrou e começou a procurar algo com grande ansiedade. Então eu percebi horrorizado que era O Silmarillion, e eu estava aterrorizado com a possibilidade de ele descobrir o que eu tinha feito”.

Enquanto isso, a maioria dos manuscritos que ele tinha trazido para a França, amontoados na traseira de seu carro, teve que voltar para Oxford. A pedido do resto da família, que ficou preocupada com essa migração, os documentos voltaram do jeito que eles vieram, de carro, para a Biblioteca Bodleian, onde atualmente eles são mantidos em processo de digitalização. Portanto, é em fotocópias que Christopher se compromete a prosseguir, à duras penas. Impossível, por exemplo, basear-se na cor da tinta ou na textura do papel para tentar datar os documentos. “Mas eu tinha sua voz em meus ouvidos”, diz Christopher Tolkien. Desta vez, diz ele, ele se tornaria “o historiador da obra, seu intéprete”.

 

UM UNIVERSO ENTRA PARA O MOBILIÁRIO MENTAL MUNDIAL

Durante dezoito anos, ele trabalharia duro na história da Terra-Média, a edição titânica em doze volumes que retrata a evolução de acordo com Tolkien. “Durante todo aquele tempo, eu o vi datilografando com três dedos em uma velha máquina de escrever que havia pertencido à seu pai”, observa sua esposa. “Podia-se ouvir o barulho do final da rua!” Era uma mina de ouro literária, mas também uma tarefa cheia de minúcias da qual Christopher saía exausto, para não dizer deprimido. Mas não importa, ele não parou por aí. Em 2007, ele publicou Os Filhos de Húrin, um romance póstumo de Tolkien que foi reconstruído a partir de textos que já tinham aparecido aqui e ali, e que vendeu 500.000 cópias em inglês e já foi traduzido para 20 idiomas.

Enquanto esta nova geografia literária surgia de sua velha máquina de escrever, o universo de Tolkien também ploriferava no mundo externo, de maneira completamente independente. Pois mesmo antes de seu falecimento, o poder imaginativo de Tolkien não demorou muito para criar outros trabalhos menores, fortes e turbulentos. “A flexibilidade desses livros explica o seu sucesso”, diz Vincent Ferré. “É uma obra-mundo, no qual seus leitores podem entrar e se tornarem atores eles mesmos”.

A influência do escritor foi sentida em primeiro lugar no campo da literatura, onde suas criações reavivaram um gênero que remonta o século XIX, a fantasia. A partir dos anos 70 e especialmente dos anos 80, uma fantasia heroica bastante impregnada de “tolkienismo” se desenvolve, tendo um fundo de cenários lendários, de elfos e de dragões, de magia e de luta contra as forças do mal. Seu mundo, “como os contos de fadas dos irmãos Grimm no século anterior, entrou para o mobiliário mental do mundo ocidental”, escreveu o inglês Thomas Alan Shippey, em um ensaio ainda não traduzido dedicado ao escritor.

Na França, como também em outros lugares, muitas editoras estão investindo neste mercado particularmente lucrativo: mais de 4 milhões de cópias foram vendidas só em 2008. Dentre outras sagas que apareceram nos anos 70, podemos citar As Crônicas de Thomas Covenant (1977), de Stephen R. Donaldson.

Primeiro nos Estados Unidos, depois em todos os países da Europa e até na Ásia, o gênero se tornaria uma enorme indústria, logo se transformado em histórias em quadrinhos, jogos de RPG e vídeo games, filmes e até mesmo em música, com o rock progressivo. A partir de 2000, com o fan fiction emergindo na Internet, cada colaborador habita o mundo criado por Tolkien como bem entende. O Senhor dos Anéis se transforma em uma espécie de entidade autônoma, vivendo sua própria vida. Ele inspira, por exemplo, George Lucas, autor da série Guerra nas Estrelas, cujo primeiro filme foi lançado em 1977. Ou o grupo de rock Led Zeppelin, que incorporou referências ao romance em várias músicas, incluindo The Battle of Evermore.

Mas nada disso realmente incomoda a família, até que os filmes de Peter Jackson saíram. É a estreia da primeira parte da trilogia, em 2001, que altera a natureza das coisas. Em primeiro lugar, por ter um prodigioso efeito na venda dos livros. “Em três anos, de 2001 a 2003, 25 milhões de cópias de O Senhor dos Anéis foram vendidas – 15 milhões em inglês e 10 milhões em outras línguas. E no Reino Unido as vendas aumentaram em 1000% após a estreia do primeiro filme da trilogia, A Sociedade do Anel“, afirma David Brawn, o editor de Tolkien na HarperCollins, que detém os direitos para os países de língua inglesa, com exceção dos Estados Unidos.

 

UM EFEITO CONTAGIOSO

De forma relativamente rápida, no entanto, a estética do filme, concebido na Nova Zelândia por ilustradores reconhecidos como Alan Lee e John Howe, ameaçou engolfar a obra literária. Esta iconografia inspira a maioria dos vídeo games, e com isso nascem os produtos derivados. Logo, por um efeito de contágio, não é mais o livro que se torna uma fonte de inspiração para os autores de fantasia, mas os filmes do livro, e os jogos do filme, e assim por diante.

Tal frenesi força os advogados da família Tolkien a darem mais uma olhada no seu contrato, que prevê que a Tolkien Estate deve receber um percentual dos lucros no caso de os filmes serem lucrativos. Com a enlouquecedora bilheteria, os advogados dos Tolkien tiraram a poeira do contrato e exigiram a sua parte dos lucros à New Line, produtora americana dos filmes, que comprou os direitos de O Hobbit e de O Senhor dos Anéis. E então, surpresa! Cathleen Blackburn, advogada da Tolkien Estate em Oxford, conta com ironia: “Aparentemente esses filmes tão populares não tiveram nenhum lucro! Recebíamos suas folhas de rendimento dizendo que os produtores não deviam nenhum centavo a Tolkien Estate…”

O caso ocorre entre 2003 e 2006, e em seguida começa as coisas começam a ficar realmente ruins. Os advogados da Tolkien Estate, bem como os da Tolkien Trust e da editora HarperCollins, exigiram 150 milhões em danos, e também o direito de inspecionar as próximas adaptações da obra de Tolkien. Precisaram de um processo jurídico até que chegassem a um acordo em 2009. Os produtores pagarão 7,5% dos lucros a Tolkien Estate, disse o advogado, que se recusa a falar em uma cifra, mas “é muito cedo para dizer o quanto isso vai representar no futuro”.

No entanto, a Tolkien Estate não pode fazer nada quanto à forma como a New Line adapta os livros. No futuro filme O Hobbit, por exemplo, os espectadores descobrirão personagens que Tolkien jamais desenvolveu, principalmente personagens femininos. O mesmo vale para os produtos, que variam de toalhinhas a caixas de nuggets, passando por uma infinita variedade de brinquedos, artigos de papelaria, camisetas, jogos, etc. Não apenas os títulos dos livros, mas os nomes de todos os seus personagens se tornaram marcas registradas.

“Estamos na parte traseira do carro”, Cathleen Blackburn comenta. Em outras palavras, não há nada mais a fazer do que olhar a paisagem – exceto em casos extremos. Quando chegamos, por exemplo, a impedir a utilização do nome “O Senhor dos Anéis” em máquinas caça-níqueis em Las Vegas, ou a criação de parques temáticos. “Podemos provar que nada no contrato original permite esse tipo de utilização”.

 

UM “SIGNIFICADO FILOSÓFICO REDUZIDO A NADA”

“Eu poderia escrever um livro sobre os pedidos idiotas que me foram feitos”, suspira Christopher Tolkien. Ele tenta proteger a obra literária do grande circo que cresceu em torno dela. Em geral, a Tolkien Estate recusa quase todos os pedidos. “Normalmente”, explica Adam Tolkien, “os executores do patrimônio querem promover a obra o máximo possível. Para nós é o contrário. Queremos esclarecer o que não é O Senhor dos Anéis“.

Se o desenho animado americano chamado Lord of the Beans (“O Senhor dos Feijões”) não pôde ser impedido, sua versão em quadrinhos, pelo contrário, foi barrada pela Tolkien Estate. Mas essa política não protege a família de uma realidade: a obra de Tolkien pertence agora a um público gigantesco, e muito diferente daquele para o qual o escritor originalmente o concebeu. Convidados a conhecer Peter Jackson, a família Tolkien preferiu recusar. Por que? “Ele destripou o livro, fazendo um filme de ação para jovens de 15 a 25 anos de idade”, diz Christopher com ressentimento. “E parece que O Hobbit será da mesma laia”.

O divórcio é sistematicamente reativado pelos filmes. “Tolkien se tornou um monstro, devorado por sua popularidade e absorvido pela absurdidade de nossa época”, diz Christopher Tolkien em um tom triste. “A lacuna aumentou entre a beleza, a seriedade do trabalho, e o que ele se tornou. Tudo foi longe demais para mim. Este nível de comercialização reduz a nada o significado estético e filosófico da obra. Só me resta uma solução: virar o rosto para o outro lado”.

Difícil dizer quem ganhou nesta batalha silenciosa entre o respeito à escrita e a popularidade. Difícil dizer também quem, no fim das contas, possui o anel. Uma coisa é certa: pouco a pouco, uma parte bastante significativa da obra de J. R. R. Tolkien agora já saiu das caixas de papelão, graças à infinita perseverança de seu filho.

 

Texto de Raphaëlle Rérolle.

Esta entrevista foi publicada no Le Monde em 9 de julho de 2012. O texto original pode ser visto clicando aqui. As opiniões expressas no texto não são necessariamente aquelas dos membros da Toca CE ou do Conselho Branco.

121 ideias sobre “Tolkien, o anel da discórdia – Entrevista com Christopher Tolkien

  1. É triste pensar que um mundo fantástico,mágico,perfeitamente lindo, onde apesar de ter maioria os orcs nunca vencem,tenha sido dominado por eles em nosso mundo.
    Vê-se claramente algo “anti”tecnológico no “Senhor dos Anéis”.Mas ele mesmo,nos dias de hoje,foi completamente industrializado.
    A magia,a pureza,a glória e o verdadeiro sentido das obras,vivem apenas nos livros.O cinema devastou a mitologia Tolkieniana,acrescentou personagens inimagináveis e cortou outros tão significativos.
    É triste mas ainda sim é a verdade

  2. Intensamente lindo.
    Um clássico com todos os seus detalhes, não tendo o que reclamar, as obras de J.R.R.Tolkien São perfeitas.
    O que o filho, C. Tolkien fez foi sem dúvida de grande importancia para os leitores e principalmete para o pai, caso fosse eu, estaria contente em ter um filho dedicado como ele que trabalhou para o sucesso das obras não públicadas de seu pai. Enfim *-*

  3. Eu nunca li O Senhor dos Anéis, nem O Silmarillion. Apenas assisti aos filmes e li O Hobbit. Porém conheci esse Cristopher Tolkien e sua imensa dedicação pela obra do pai , e resolvi começar a ler profundamente sobre Tolkien, principalmente sua obra incompleta.

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